
Affinity: Guia Completo das Ferramentas dos Três Estúdios#
💡 Resumo rápido: O Affinity organiza-se em três estúdios — Vector (equivalente ao Illustrator), Pixel (equivalente ao Photoshop) e Layout (equivalente ao InDesign) — cada um com um conjunto rico de ferramentas que rivaliza com o Adobe Creative Suite.
A nova versão do Affinity tem gerado muito interesse entre quem considera abandonar o ecossistema Adobe. É compreensível: num único pacote encontramos três aplicações profissionais com uma curva de aprendizagem surpreendentemente acessível para quem já conhece o Photoshop ou o Illustrator.
Neste artigo percorremos as principais ferramentas disponíveis nos três estúdios do Affinity, explicando o que faz cada uma e como se compara com os equivalentes Adobe. O objetivo é dar uma visão geral que permita a qualquer utilizador saber o que esperar — e onde procurar quando precisar de uma ferramenta específica.
Pontos-chave#
- Três estúdios num só: O Affinity integra o estúdio Vector (Illustrator), Pixel (Photoshop) e Layout (InDesign) numa única aplicação, com troca rápida entre eles.
- Ferramentas vectoriais completas: O estúdio Vector inclui ferramentas de nó, caneta, lápis, path brushes, formas vivas altamente configuráveis, shape builder, ferramenta de largura e gradientes — muitas delas mais modernas do que as equivalentes do Illustrator.
- Edição de imagem profissional: O estúdio Pixel cobre todas as necessidades de retoque — clone stamp, healing brush, inpainting, dodge/burn, smudge, filtros por pincel e muito mais. A ferramenta de inpainting, semelhante ao “Remove Tool” do Photoshop, apresenta resultados bastante satisfatórios.
- Formas vivas e presets: Tanto no Vector como no Pixel, as formas geométricas são “live shapes” — editáveis em tempo real com parâmetros específicos, como número de dentes numa engrenagem ou raios numa estrela. Há dezenas de presets incluídos.
- Rubber Band Mode na caneta: Uma diferença importante face ao Illustrator — o Affinity não mostra a pré-visualização da curva enquanto se desenha, a menos que se ative o “rubber band mode”. Quem vem do Illustrator deve ativar esta opção de imediato.
- Estúdio Layout para paginação: O equivalente ao InDesign inclui ferramentas de texto em moldura, formas, colocação de imagens, gradientes, transparência e uma ferramenta de tabela funcional. O Data Merge também está presente, embora seja um tema para explorar à parte.
- Personalização da barra de ferramentas: É possível arrastar e adicionar ferramentas de qualquer estúdio à barra principal, o que permite criar um espaço de trabalho completamente personalizado.
A minha opinião#
Depois de décadas a trabalhar com ferramentas Adobe, é inevitável algum ceticismo inicial quando se experimenta uma alternativa. O Affinity, porém, consegue algo que poucas ferramentas alcançam: sentir-se simultaneamente familiar e refrescante. A organização em três estúdios é lógica, a velocidade de resposta é notável, e há detalhes bem pensados — como o ícone de tesoura que aparece na knife tool ao passar sobre um traço, ou a pré-visualização em tempo real das path brushes vectoriais. Aliás estou a usar no Linux e finalmente uma alternativa que realmente funciona. Durante anos tentei usar o GIMP, mas nunca consegui…
Há ainda algumas arestas por limar — a ferramenta de deform no estúdio Pixel parece não funcionar de forma óbvia, o fill tool no estúdio Layout apresentou comportamentos inesperados em alguns testes, e a undo brush permanece algo enigmática. Mas no cômputo geral, para quem quer uma alternativa profissional ao Creative Cloud sem a subscrição mensal, o Affinity é uma proposta muito séria. Vale mesmo a pena investir tempo a explorar cada estúdio com calma — há mais do que aparenta à primeira vista. 💡🐭

