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Porque eu não recomendo o Brave?

·664 palavras·4 minutos
Dicas do Rato
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Porque eu não recomendo o Brave?

Brave Browser: Por Que Razão Deve Evitar Este “Browser de Privacidade”?
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💡 Resumo rápido: O Brave é frequentemente recomendado como alternativa privada ao Chrome, mas o seu historial de polémicas levanta sérias dúvidas sobre se a privacidade do utilizador é realmente a prioridade.

O Brave é um browser baseado no Chromium que promete bloqueio de anúncios integrado, proteção da privacidade e até acesso à rede Tor. Aparece em várias listas de ferramentas recomendadas para quem se preocupa com privacidade online. No entanto, por trás da imagem cuidada, existe um historial de decisões no mínimo questionáveis — algumas delas francamente graves.

Neste post, o autor analisa quem está por detrás do Brave, o que correu mal ao longo dos anos e se faz sentido confiar neste browser com os seus dados.

Pontos-chave
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  • O fundador e as suas polémicas: O Brave foi criado em 2015 por Brendan Eich, também conhecido por ter inventado o JavaScript. A sua carreira na Mozilla terminou abruptamente em 2014 quando, após ser nomeado CEO, funcionários exigiram a sua demissão devido a doações a organizações anti-LGBTQ+ e a campanhas contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

  • Substituição de anúncios (2016): Logo após o lançamento, o Brave anunciou um sistema que bloqueava os anúncios dos sites e os substituía pelos seus próprios — pagando aos criadores metade do que receberiam antes e ficando com 15% para si. A Newspaper Association of America considerou o plano ilegalmente e emitiu uma carta de cessação.

  • Recolha de doações sem consentimento (2018): O Brave aceitava doações em nome de criadores de conteúdo — como Tom Scott — sem que esses criadores tivessem criado qualquer conta ou dado autorização. Como as doações eram em criptomoeda, eram impossíveis de reembolsar.

  • Injeção de links de afiliado (2020): Foi descoberto que o browser inseria automaticamente códigos de afiliado do Brave em URLs de carteiras e exchanges de criptomoedas, como a Coinbase ou a Binance. Sempre que um utilizador se registava nesses serviços, o Brave recebia uma comissão — sem o utilizador saber.

  • Anúncios no ecrã inicial (2020): O browser cujo principal argumento é bloquear publicidade passou a mostrar anúncios patrocinados por defeito na página inicial, muitos deles relacionados com criptomoedas. A funcionalidade não foi revertida.

  • Falha grave na rede Tor (2021): O Brave incluiu suporte à rede Tor — usada por jornalistas, ativistas e pessoas em risco para navegar anonimamente — mas uma falha fez com que os endereços .onion visitados fossem expostos ao fornecedor de internet do utilizador, comprometendo o anonimato de forma potencialmente perigosa.

  • Venda de dados de pesquisa a empresas de IA (2023): O Brave anunciou a venda de dados recolhidos pelo seu motor de pesquisa a empresas de inteligência artificial. Adicionalmente, o crawler do Brave Search não se identifica corretamente, impossibilitando que os proprietários de sites o bloqueiem sem bloquear também o Google.

  • Remoção da proteção avançada de fingerprinting (2024): O Brave retirou a opção de proteção estrita contra fingerprinting — a técnica que permite a sites identificar e seguir utilizadores mesmo sem cookies — alegando que causava problemas de compatibilidade.

A minha opinião
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Ao longo de quase 30 anos a trabalhar com sistemas e segurança informática, aprendi a desconfiar de produtos que proclamam a privacidade como valor central mas que, na prática, tomam repetidamente decisões que colocam os interesses comerciais acima dos utilizadores. O Brave encaixa bem nesse perfil. NÂO ESQUECER: “SE É DE GRAÇA É PORQUE TU ÉS O PRODUTO!”

Não se trata de um erro isolado ou de um tropeção de crescimento. São quase uma década de decisões que, uma após outra, revelam uma lógica clara: usar a retórica da privacidade para atrair utilizadores conscientes e depois monetizá-los de formas que esses mesmos utilizadores reprovariam se soubessem. Para quem procura um browser genuinamente orientado para a privacidade, existem alternativas com histórias mais limpas — como o Firefox com as extensões certas, ou o LibreWolf.

Saber mais
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